A pergunta a que não consegue responder
Na consulta, a sua médica pergunta quando foi a última crise forte e quanto durou. Já não se lembra ao certo — as semanas confundem-se. Sem notas, resta apenas um encolher de ombros, e o tratamento assenta numa estimativa vaga.
A crise que já passou outra vez
A meio da noite a dor torna-se insuportável. Na manhã seguinte está mais tolerável e você segue em frente. Na próxima consulta, daqui a quatro semanas, a noite já está há muito esquecida — e era justamente essa evolução que teria sido importante para a decisão terapêutica.
O pedido sem comprovativo
Para um pedido de incapacidade ou de reabilitação, deve demonstrar com que intensidade e com que frequência as dores limitam o seu dia a dia. Sem um diário contínuo com data e intensidade, o seu relato fica sozinho contra o que consta no processo.
As três situações têm o mesmo padrão: sem registo, perde a evolução. Com a intensidade diária, o mapa corporal e as circunstâncias, as memórias vagas tornam-se um diário compreensível.